 Consta que o cigarro foi criado por um boticário francês de nome Jean Nicot (donde o nome nicotina) que esteve nas Américas no ano de 1565. Ficou curioso, além do uso ritualístico do tabaco nas reuniões festivas e preparatórias para combates, particularmente com o uso “medicinal” em que os índios acreditavam. O pajé usava a infusão das folhas de tabaco maceradas para cuidar de índios “nervosos” ou “possuídos pelos maus espíritos”. Com tal intenção levou esta prática para sua farmácia em Paris, onde passou a usar a inalação da fumaça do tabaco (incinerado) em clientes classificados como “nervosos”. Com a sua observação, não constatou benefícios objetivos dignos de nota em seus clientes mais graves; mas notou que alguns melhoravam o humor e que, inclusive, seus funcionários e ele próprio passaram a se apresentar bem humorados.
Pesquisou uma cola e papel de combustão mais lenta e enrolou o tabaco macerado neste papel: e estava inventado o cigarro.A intenção de Jean Nicot era, pois, espalhar bom humor. Notem que estamos falando de 1565. Somente nos anos noventa – portanto mais de quatro séculos depois - foi constatado o mecanismo pelo qual a nicotina leva ao vício.
O que nem de longe conjeturava-se à época é como o tabaco levava à dependência. Somente depois de mais de 4 (quatro) séculos é que a Medicina descobriu que a Nicotina era o elemento viciador, por agir sobre a produção de algum mediador químico cerebral (uma espécie de hormônio cerebral). Confirmou-se, nos início dos anos 90, que a nicotina aumentava a produção da Dopamina, provocando uma sensação de bem-estar, boa disposição, atitude e, momentaneamente, um maior rendimento das capacidades intelectivas (atenção, concentração, memória, raciocínio).
FUMO PASSIVO
As pessoas que estão próximas dos fumantes, especialmente em ambientes fechados, inalam mais de 400 substâncias que podem prejudicar a saúde. O fumante passivo tem maior risco de infarto do miocárdio e câncer pulmonar, quando comparado à pessoas que não convivem com fumantes. As crianças que convivem com pais fumantes têm maior risco de infecções respiratórias, bronquiolites, asma, otite e infecções de garganta (amigdalite) e de também virem a ser fumantes, por identificação e pela inalação da fumaça do cigarro, ao qual podem se habituar com mais facilidade.
A nicotina causa dependência por meio de processos biopsicossocias semelhantes aos da cocaína, álcool e heroína, além daqueles de ordem química que abordaremos adiante. O cérebro dos dependentes em nicotina tem grande número de receptores que dependem dessa droga para funcionarem bem (receptores nicotínicos). O fumante de 20 cigarros/dia, que traga 10 vezes/cigarro, recebe mais de 70.000 impactos cerebrais de nicotina por ano. A nicotina atinge o cérebro em menos de 10 segundos e causa a liberação de dopamina em escala maior do que a normal. Esta substância é responsável por sensações de prazer, melhora das faculdades intelectivas, melhora do humor e da disposição psíquica em geral. O dependente de nicotina aprende e acredita que o cigarro: preenche vazios; é companheiro; ajuda a lidar com o estresse; ajuda a lidar com os sentimentos negativos ou positivos; facilita as interações sociais e desempenho intelectual; eleva a sensação de segurança. Entretanto, a maioria desses benefícios é momentânea, pois não se mantêm longe do cigarro e, portanto, são uma espécie de cilada. E isto deve-se ao fato de que o dependente do cigarro vai desenvolvendo uma tolerância gradativa à nicotina, e tem piorado o funcionamento do cérebro na diminuição ou ausência desta. Este é o fator que o faz aumentar o número de cigarros fumados diariamente. Os “benefícios” são falsos. Como a nicotina no usuário aumenta a produção e concentração da dopamina, esta substância começa a ser produzida em menor quantidade pelo Sistema Nervoso Central (S.N.C). Este, por assim dizer, delega ao cigarro a incumbência de produzir mais dopamina. E, na maioria das vezes em que se tenta parar de fumar, o tabagista passa mal (crise de abstinência), porque sua produção normal de dopamina está muito aquém do necessário. Para ajudá-lo, entram aí medidas terapêuticas específicas. MAIS DE 90% DOS FUMANTES SÃO DEPENDENTES DA NICOTINA, E TORNAM-SE DEPENDENTES ANTES DOS 18 ANOS.
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário